terça-feira, 8 de abril de 2014

Relicário

 




Relicário




Vejo mil almas quebradas
E mil pedaços tentando se consertar,
Muitos filhos órfãos
Muitas viúvas em eterno luto,
Mil histórias cortadas em algum ponto
Ou pior: sem ponto.

Aquela cama bagunçada que nunca será preenchida
Aquele disco antigo, de alguma coleção, acumulando pó ao canto
Um livro não terminado
E braços vagos
Espaços vagos
De corações cheios:
Cheios de expectativas frustradas.

Nem toda canção será tocada
E alguns calçados ficaram sempre ao pé da escada
Intactos relicários.




Autora: Luana Rinaldi


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