terça-feira, 4 de novembro de 2014

Nota ao portador





Nota ao portador



E talvez seja por isso que estive evitando há algum tempo
Qualquer contato ou mostra de afeto,
Qualquer esperança mórbida de correspondência.
São as palavras doces que me incomodam:
Mel em recipiente sujo azeda!
E se não for para ficar espero que nem apareça.

Porque se seus espaços não me preencherem vou ficar vaga,
Distante e falha
E procurar em qualquer bobagem uma forma menos sofrida de lhe apagar dos meus rascunhos.

A porta estava fechada,
Era seguro e cômodo.
Você bateu e eu hesitei em baixar a guarda.
Por favor, faça valer à pena.






Autora: Luana Rinaldi

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Xícaras de chá




 

Xícaras de chá




Você poderia vir me ver
E trazer a meu sol algumas estrelas
Pois há tempos que não anoiteço.
Seria de grande alegria um descanso merecido,
Desabotoar os sapatos e ajeitar o corpo em repouso.

Você poderia vir me ver
Regar as flores do meu jardim enquanto ausente estou,
E esperar o meu retorno.
Às vezes é bom ter alguém ao chegar a casa.

Você poderia vir me ver
E alegrar esses olhos cansados de figuras estranhas,
Suavizar os meus dias confusos.
E eu teria pretexto para usar as minhas xicaras de chá
– é engraçado como uma xícara sozinha se torna triste –

Qualquer dia desses:
Com ou sem desculpas,
Você poderia vir me ver.





Autora: Luana Rinaldi