quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A classe





A classe





São só cadeiras vazias, desalinhadas e gastas
E vão singularmente sendo preenchidas,
De nobre material,
Condutor de sonhos
Tão denso que quase palpável torna.

Tortas letras em linhas retas,
Apreende-se com tempo a segurar rijamente o lápis lascado
Aprende-se.

A classe,
Sem classe molda – desigual perfeição
Sob o giz corre a lousa velha em enrugadas mãos
É preciso tanto calma quanto pressa.
Decorada a primeira lição.

É doce o gosto da luz nas trevas
E a sensação:
Não mais um borrão,
Apropriar-se do nome – tão sublime efeito.

Orgulho do ato – em concreto antigo de simples paredes
Não mais muros,
Apenas sede.
A pequena classe,
Em simples transborda.

Autora: Luana Rinaldi

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